13 de Abril 1945 — Montese — Itália
O vento frio do sereno não era nada se comparado à vontade de voltar para casa. E para espantar os maus pensamentos ele cantava o Hino de volta. Uma canção ensaiada todos os dias por esse soldado, não por uma obrigação imposta por um Capitão ou Coronel, mas por sua própria vontade. Pois quando ele estivesse voltando para casa, a canção deveria ser cantada perfeitamente. E naquela noite não era diferente:
♪ “Você sabe de onde eu venho?
É do livre desempenho
que cumpri por meu Brasil.
Venho da terra européia
trazendo escrita a Odisséia
na altivez do meu fuzil.
Venho dos campos nevados
onde deixei sepultados
os meus irmãos tropicais,
dormido após a vitória
o eterno sono da glória,
na glória imortal da paz...”♪
Enquanto o soldado cantarolava sua canção, ele era observado por um amigo, um companheiro de batalha. Distraído em seus pensamentos o amigo não é percebido. Em sua mente as lembranças de casa o faziam sentir o cheiro do café, o abraço da mãe e as brincadeiras com a irmã. Mas tudo isso estava muito longe.
